A transição para a primavera modifica uma série de fatores ambientais relevantes para a rotina veterinária. O aumento gradual das temperaturas, mudanças na umidade, maior presença de pólens e outros alérgenos, condições favoráveis ao desenvolvimento de alguns ectoparasitas e mudanças na rotina dos animais podem alterar o perfil de exposição de cães e gatos.
Isso não significa que a primavera, por si só, “reduz a imunidade”. O cenário é mais complexo: o ambiente muda, a exposição muda e alguns pacientes passam a enfrentar uma demanda diferente sobre seus mecanismos de defesa.
Para o médico-veterinário, compreender essa relação é especialmente importante em pacientes predispostos a doenças alérgicas, animais com histórico de infecções recorrentes, pacientes geriátricos ou crônicos e aqueles submetidos a maior exposição a outros animais.
Primavera e dermatologia: quando a exposição ambiental aumenta
A dermatite atópica é uma doença inflamatória e pruriginosa associada à predisposição genética e à resposta a alérgenos ambientais. Pólens, ácaros e fungos estão entre os possíveis desencadeadores, e alguns pacientes apresentam manifestações sazonais ou exacerbações em determinados períodos do ano.
Na primavera, portanto, o aumento da exposição a determinados alérgenos pode contribuir para a ocorrência de crises em animais sensibilizados.
A resposta imune associada à dermatite atópica envolve diferentes mediadores. Citocinas relacionadas ao perfil Th2, incluindo IL-4 e IL-13, participam da resposta alérgica e da inflamação, mas hoje se sabe que a fisiopatologia não se resume a uma simples oposição entre Th1 e Th2. Alterações de barreira cutânea, inflamação e mudanças no microbioma também têm papel importante.
Essa interação ajuda a explicar por que infecções secundárias por Staphylococcus pseudintermedius e proliferação de Malassezia pachydermatis são frequentes em cães atópicos e podem agravar os sinais clínicos.
Outro ponto relevante é o ambiente favorável aos ectoparasitas. Temperatura e umidade interferem diretamente no ciclo de vida das pulgas, cujo desenvolvimento é mais rápido sob condições quentes e úmidas. Dependendo da região e das condições ambientais, o aumento das temperaturas pode, portanto, representar também maior pressão parasitária.
E o aumento das temperaturas?
Temperaturas mais elevadas aumentam a demanda termorregulatória, especialmente em pacientes predispostos, como animais braquicefálicos, obesos, geriátricos ou portadores de doenças concomitantes.
Em cães expostos a condições de calor e alta umidade, já foram observadas alterações fisiológicas e hematológicas, incluindo aumento de cortisol e mudanças em parâmetros relacionados ao sistema imune.
É importante, entretanto, diferenciar esse cenário do heatstroke (golpe de calor). As alterações intensas de permeabilidade intestinal, resposta inflamatória sistêmica e dano tecidual descritas na literatura estão principalmente associadas à hipertermia importante e ao estresse térmico grave.
Na prática clínica da primavera, portanto, o principal ponto não é afirmar que o calor provoca imunossupressão, mas reconhecer que temperatura, hidratação, condição clínica prévia e capacidade de adaptação do paciente podem modificar sua resposta aos desafios ambientais.
Doenças respiratórias: a estação é apenas uma parte do contexto
Temperatura e umidade também interferem nas características das secreções respiratórias e no transporte mucociliar. Experimentalmente, a exposição a ar muito seco pode diminuir a capacidade de transporte do muco nas vias respiratórias.
Mas, quando falamos de Complexo Respiratório Infeccioso Canino ou de doenças respiratórias felinas, outros fatores possuem uma relação epidemiológica mais clara.
Em cães, o contato com múltiplos animais, como ocorre em hotéis, creches, parques e outros ambientes coletivos, aumenta o risco de doenças respiratórias infecciosas.
Nos gatos, especialmente no caso do herpesvírus felino, o estresse é um fator reconhecido de reativação viral e de nova eliminação do vírus. Ambientes com alta densidade populacional também apresentam maior risco de doenças respiratórias.
Assim, a primavera pode modificar hábitos e aumentar algumas oportunidades de exposição, mas não deve ser apresentada isoladamente como causa do aumento das infecções respiratórias.
Onde entra o suporte à imunocompetência?
Pacientes submetidos a maior exposição, com histórico de recorrência, coinfecções, idade avançada ou outras condições que aumentem sua demanda imunológica podem exigir atenção adicional à imunocompetência.
Nesse contexto, Engystol® pode integrar a estratégia clínica como suporte à resposta imune celular.
Sua atuação está relacionada à atividade Th1 e à produção de interferon-gama, mecanismos envolvidos na resposta contra patógenos intracelulares. O medicamento também é apresentado como imunomodulador para utilização em doenças virais e como coadjuvante em diferentes situações de maior demanda imunológica.
O ponto clínico importante é integrar esse suporte ao restante da condução do paciente. Vacinação, controle de ectoparasitas, manejo adequado das doenças de base, biossegurança, identificação e tratamento de infecções secundárias e redução de fatores de estresse continuam sendo pilares essenciais.
Engystol® entra como uma frente adicional de suporte à imunocompetência, conforme a avaliação do médico-veterinário e as necessidades daquele paciente.
Primavera: mais exposição, diferentes desafios
A mudança de estação traz uma combinação de mudanças ambientais e comportamentais capazes de modificar a exposição e a demanda fisiológica de determinados pacientes.
Mais alérgenos podem contribuir para exacerbações dermatológicas. Temperaturas elevadas aumentam a demanda termorregulatória. Condições ambientais influenciam os ectoparasitas. Maior interação entre animais pode ampliar oportunidades de transmissão de agentes infecciosos.
Para a prática veterinária, o valor está justamente em identificar quais pacientes se tornam mais suscetíveis diante desse novo contexto e antecipar estratégias de manejo, prevenção e suporte à imunocompetência.
Dentro desse raciocínio, Engystol® pode ser considerado como suporte à resposta imune celular em pacientes que enfrentam maior demanda imunológica, sempre integrado à avaliação clínica e às demais medidas indicadas para cada caso.
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